terça-feira, 5 de maio de 2009

A CONSTRUÇÃO DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL EM UMA EMPRESA.


Luiz Sérgio Cardona Néry (*)
A CONSTRUÇÃO DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL EM UMA EMPRESA.
A comunicação organizacional serve, em um plano, para harmonizar a comunicação externa com a interna, em outro, criar um clima motivador dentro de uma empresa onde educa, constrói novos valores e valoriza indivíduos. Serve, também, para produzir comunicação para o mercado organizacional e criar valores no mercado consumidor através da propaganda institucional.
O profissional de comunicação é o mais indicado como assessor na comunicação organizacional e criar, enquanto esta estiver no plano de comunicação interna, meios de transmissão, ou seja, mídia interna que vai de um memorando a técnicas aprimoradas.
A comunicação interna provoca uma sintonia na empresa tornado-a mais leve e deve ser estruturada sobre uma base do endomarketing provocando uma reengenharia cultural na empresa incentivando e criando o hábito nos colaboradores internos de busca e transmissão de comunicação.
A comunicação se bem administrada oferece a qualquer empresa agilidade e leveza. Não vivemos mais na era dos grandes que comem os pequenos e sim na era dos ágeis que devoram os lentos e a comunicação e seus processos provocam numa empresa agilidade tornando-a mais competitiva no mercado organizacional.


COMUNICAÇÃO, O PRINCÍPIO DE TUDO.
A comunicação organizacional está relacionada ao mercado produtor. São relativos às empresas. O mercado organizacional consome entre si, troca matéria prima, serviços e produtos formando um mercado transformador para o mercado consumidor final. Mas para que esta troca seja feita sem maiores esforços, este, busca produzir para um mercado alvo do mercado consumidor. Logo ele segmenta o mercado produzindo e buscando somente o que interessa a uma única categoria de consumidor. A segmentação de mercado serve não só para produzir produtos específicos para grupos específicos, como administrar a comunicação. Se segmentarmos geograficamente, demograficamente e psicograficamente para localizarmos e entendermos um grupo, logo o mesmo canal serve para administrarmos a comunicação. A geografia remete a distribuição da comunicação, a demográfica o tom da comunicação e a psicografia a forma da comunicação e o conjunto converge para o interesse de um único público. O mix de marketing também tem a questão gerencial do produto ou serviço para o público alvo, o preço adequado às possibilidades do público segmentado, a distribuição e forma de compra e por fim a forma de comunicação e promoção propriamente. A comunicação organizacional deve atuar sob estas duas formas de administração; segmentação de mercado e composto de marketing. Uma empresa é um micro mercado. Os colaboradores internos trocam seus serviços por dinheiro, (o salário), têm necessidades e desejos e isto deve ser suprido através de um gerenciamento interno de projetos mediados pela comunicação.
A comunicação externa no caso da publicidade serve para tornar público um produto ou serviço, através de promoções associado a uma empresa produtora e anunciante. A comunicação interna, dentro de uma organização serve para uma comunicação institucional, que gera nos colaboradores internos um sincronismo com a filosofia e a as práticas da empresa. Serve ainda para situar, valorizar, educar e comprometer o indivíduo dentro do contexto. Na prática esta separação não existe, ou não deveria existir, entre a comunicação interna e a externa. Uma empresa serve para atender um determinado grupo do mercado consumidor, como vimos anteriormente, logo, o que ela propõe na sua comunicação comercial externa tem que ser compatível com o que oferece. É como arrumar a casa para receber visitas. Em muitos casos se vê ofertas fabulosas e atendimentos especiais e quando o consumidor faz contato com a empresa anunciante destas maravilhas, o caso não procede. Isto em geral acontece porque a empresa não possui um sistema de comunicação interna. Não transmite para o seu corpo de colaboradores internos as suas intenções que acaba prejudicando sua competitividade no mercado.

COMO SE PROCEDE A ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO?
A comunicação organizacional deve ser feita por um profissional da área de comunicação social, seja qual for à habilitação que é Publicidade e Propaganda, Jornalismo ou Relações Públicas, até porque estas disciplinas concordam entre si muito mais neste caso. Não confundir assessoria de imprensa com assessoria de comunicação, até porque a assessoria de imprensa é uma parte em determinado momento da assessoria de comunicação.
O profissional deve primeiramente vender ao empreendedor ou ao mantenedor de uma instituição a importância de uma comunicação interna e seus benefícios. Isto pode ser através de vínculos empregatício, como através de uma empresa de assessoria de comunicação que pode ser uma agência de publicidade, de comunicação ou como free lance, ou seja, autônomo. Deve analisar a empresa num todo e depois vender ao público interno a importância da comunicação e instalar a assessoria na base de um endomarketing que é o mesmo processo do marketing, só que interno. Criam-se projetos, planos e ações dentro da realidade da empresa que venha mobilizar e motivar o corpo funcional, tirando-os do envolvimento para colocá-los no comprometimento. É uma reengenharia cultural.
Criam-se um sistema de mídia interna, tudo vai de acordo com a realidade da empresa tanto economicamente, quanto em relação à quantidade de colaboradores internos, espaço físico ou outras questões a serem levadas em conta. Temos que levar em conta que a comunicação interna ajuda e em muito a construção da comunicação externa.

A INTERFACE DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL.
A comunicação interna integra o conjunto em primeiro momento, porém serve também para afinar-se com o discurso externo da empresa. Por exemplo, é recomendável que cada ação externa seja comunicada, explicada e incorporada pelo ambiente organizacional. Os colaboradores internos devem sempre saber das ações da empresa no mercado de consumo. A comunicação organizacional refere-se à comunicação interna que em determinado momento colabora para a comunicação externa.

EMPREENDENDO NA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL.
Existem várias possibilidades de se prestar serviços de assessorias de comunicação organizacional. Por vínculo empregatício o profissional de comunicação tem que montar um departamento na empresa e sintonizar-se com a mesma. Como free lance ou por uma empresa de comunicação o profissional deve estar em constante sintonia com a empresa. De qualquer forma, tudo começa com o conhecimento e análise da empresa que se vai assessorar. Fazem-se pesquisas com o corpo funcional, cria-se um sistema de mídia, projetam-se planos e ações para desenvolver a comunicação que sempre será o objetivo de resolver problemas organizacionais. A busca de informações é o celeiro que alimentará os projetos e elas devem ser localizadas dentro e fora da empresa. Dentro, em seus departamentos e nos funcionários e fora no discurso dos concorrentes, nas publicidades, feiras, enfim, em tudo que é exposto.

CONCLUSÃO.
A assessoria de comunicação organizacional é um novo nicho de mercado de trabalho para o profissional de comunicação, tão realizador quanto trabalhar nas formas clássicas. É uma nova realidade, pois as empresas cada vez mais têm necessidades de se comunicar com todos os públicos para poderem ser mais competitivas e a comunicação organizacional é o caminho certo para a compreensão da empresa no seu contexto interno e externo, provocando uma harmonia no conjunto, gerando uma sinergia positiva em todos os setores, provocando uma satisfação no contexto.
Assessoria de comunicação organizacional ou empresarial não é coisa para amador, pois a comunicação tem suas sutilezas que só profissionais da área dominam e qualquer ação errada pode provocar sintomas graves.

FONTES CONSULTADAS.
BRUM, Anelise de Medeiros. Um olhar sobre o Marketing Interno. Porto Alegre: L&PM, 2000.
GIVANNINI, Giovanni. Evolução na Comunicação. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1998.
GRACIOSO, Francisco. Propaganda institucional: nova arma estratégica da empresa. São Paulo: Atlas, 1995.

(*) Publicitário, pós-graduado em Didática e Metodologia do Ensino, professor e coordenador dos cursos de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas da UDC, Faculdade União Dinâmica Cataratas de Foz do Iguaçu, Paraná.